quarta-feira, 29 de julho de 2015

Das Palavras

São - podem ser - tantas ou quase nenhumas as palavras necessárias. Há momentos, aqueles momentos, em que as palavras só atrapalham e há os outros em que elas se impõem, muitas e repetidas e até atabalhoadas e até repisadas e até a voz nos faltar.
Gostava de poder marcar palavras nas pessoas. Escrever um livro que fosse citado, que partisse de mim para o mundo e um dia o meu nome aparecesse por baixo das indicações dos grandes amores. Olha o que ela escreveu, como se adequa tanto a esta situação.
Hoje basto-me com as palavras dos outros para as partilhar com o mundo na eterna esperança que um dia as minhas lhe dêem a volta e as possam outros partilhar também.
Escrever um livro é um sonho antigo. No entanto não quero que seja um livro, somente. Quero que parta de uma necessidade premente e profunda de partilha de uma história com o mundo. Olha mundo, esta era aquela história que estava dentro de mim e que tinha mesmo de sair, sob pena de eu rebentar com ela cá dentro.
Já vivi muita coisa mas... existe dentro de mim um ânimo que me convence que as grandes histórias estão para vir e que, um dia, todas elas numa liquidificadora vão dar aquele livro.
Sim, aqui te espero. O livro. O meu. Somente.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Da paz

"A paz é algo que nenhum homem pode dar a outro. Um dos fins mais importantes para quem arrisca ser quem é será o de construir a sua própria paz. Esta resulta de um trabalho duro de equilíbrio das vontades, de uma harmonização árdua das diferentes dimensões interiores, como o pensar e o sentir; é um estado ágil e dinâmico que, ao limite, permite ultrapassar e vencer qualquer adversidade.

A paz não é o estado de quem vive uma ausência de conflitos, é o resultado da conciliação corajosa das diferentes forças que, dentro e fora de cada homem, tentam prevalecer sobre as demais, menosprezando-se mutuamente.

Muitos são os que julgam ter encontrado a paz quando se livram do sonho do amor. Estão enganados, o caminho até à felicidade é ainda longo para quem cansado assim se contenta, repousando de uma luta que nem chegou a começar.

A paz é um ponto de passagem de quem ruma à plenitude da vida. A paz é o ponto de partida para o amor, que por sua vez lança o homem para a felicidade. A paz é o ponto de chegada dos que sofrem as dores mais profundas.

A verdade é tranquila. A árvore cresce sossegada, ao ritmo da sua paz, dependendo muito pouco do que acontece à sua volta.

Sem paz pode haver paixão, mas não há amor. O amor brota e alimenta-se do solo consistente e rico onde vive a paz, acima do mundo à sua volta, sem se incomodar com o julgamento de ninguém, mesmo daqueles que ali veem apenas um sossego de morte.

Silêncio. Assim é a verdade de quem consegue ser quem é. Em paz, assim ama quem vive de forma autêntica
."

José Luís Nunes Martins, in 'Filosofias - 79 Reflexões'

quarta-feira, 18 de março de 2015

There's still going to be somebody who hates peaches.


Não podemos agradar a toda a gente. Nem toda a gente vai gostar de nós. Pensamento que deve estar sempre presente - só não demasiado.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Da comunicação (ou uma pequena ode à sinceridade)

Falar é um meio que usamos incansavelmente, todos os dias, para os propósitos mais variados da nossa vida. "Um café por favor" e já se foram mais quatro palavras sem pensar.
Falar, no entanto, também pode ter uma conotação terrível. "Temos de falar", e um arrepio. Invariavelmente não vem coisa boa. Mas pode vir.
Enfim, a ode a que hoje me dedico é de "falar porque algo merece". Normalmente é porque alguém merece, nos merece, sinceramente e sem barreiras, sem entraves ou pensamentos recônditos.
Quando nos magoam, devemos falar. Seja qual for o motivo, a motivação, mesmo quando sentimos que foi só com a ponta do alfinete.
Quando aquilo que fizeram nos perturbou, devemos falar. Devemos ir em frente. Expor, dar a conhecer, permitir que nos peçam desculpa, permitir-nos perceber porquê e até pedir desculpa também (há tantas mágoas e perturbações que espalhamos sem perceber...).
Quando alguém é responsável por uma injustiça (ou uma dúzia delas) devemos falar. Devemos dar provas, argumentar, permitir que o outro se coloque nos nossos pés, nos nossos sapatos, na nossa pele. Permitir-lhe abrir a carapaça.
Quando alguém nos mostra que somos importantes e nem estávamos à espera, devemos falar, devemos agradecer, devemos demonstrar que estamos atentos e vimos o que nos fizeram, o que nos deram.
Este post não é só uma ode, é um voto. Eu quero ser sempre sincera com aqueles que amo, quero sempre entregar-me como sou, com todos os sentimentos - bons e maus - e ter a consciência de como falar, como transmitir, como passar quem sou ao outro. Com o cuidado e o carinho que ele me merece. Mas também com a força e a verdade que merece ainda mais.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Como se dizia: viajar, perder países!

Gosto de viajar.
Parece um statement simples e universal mas é mais do que isso.
Eu gosto de passar pela segurança do aeroporto. Gosto de entrar no avião. Gosto de levantar voo. Gosto dos filmes (quando há filmes). Gosto de aterrar. Sair. O novo aeroporto. Sinais de saída. Respirar um ar novo. Ver o ar novo dos novos ocupantes do novo lugar. Gosto de meter conversa. Gosto quando as pessoas se metem comigo (vá, nem todas). Gosto de ajudar alguém que esteja perdido. Gosto da sensação de estar a perder a indiferença àquele lugar. Um pouco a pensar naquelas conversas - lá num futuro qualquer - nas quais alguém vai dizer "eu depois fui acolá" e eu vou dizer alegremente "eu também fui". E que haja sempre uma história para contar, algo que me anime e que anime. Até algo que um dia alguém conte a alguém que conta a alguém que conta a alguém.
Este ir anima-me.
Estou prestes a viajar para um lugar onde sempre quis ir. Nova Iorque (sim, nunca fui). Animam-me as luzes, as torres, o central park, as avenidas, os táxis, as montras, as obras, os pequenos prédios, os grandes prédios, a estátua da liberdade, o ground zero, as pessoas, os cafés quentes para levar, as excentricidades, a moda, a arte, o metro, os all star a vinte euros, os jantares a quatro e a sensação de adolescência quando quisermos sair e as mães ficarem a dormir. Anima-me igualmente o ir. Hoje estou animada pelo ir, pelo movimento.
Não minto: o regresso anima-me igualmente. A sensação de bagagem cheia. Eu e uma mala cheia de memórias, histórias, vivências, gargalhadas. O P. no aeroporto à minha espera. Regressar a casa e trazer presentes.
Gosto de viajar.
E numa rima em forma de lugar comum: gosto de ir; gosto de voltar.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Conversas de amigas e conclusões comuns...

"Love isn’t an easy concept to understand. Love itself is the purest form of energy that connects any two beings, human or other.
It’s the embodiment of all that is good and perfect. When we talk about love in the romantic sense, we are basically trying to embody something that is pure and perfect within two individuals who are neither perfect nor pure themselves.
We are taking two imperfect, flawed, darkened, confused individuals and submerging them in the waters of romantic love, cleansing their souls – a sort of baptism. We look to love as the answer, the solution to all of our problems.
Because love is perfect, we feel that once we have it, everything in our lives becomes perfect. This is the story that we were told growing up. This is the story that we continuously see portrayed in books, movies and TV shows. Our culture feeds us an ideal and urges us to find it for ourselves. The problem is that such an ideal doesn’t exist.
The way that we perceive romantic love is wrong. It’s misguided and damaging. While imagining flawed beings such as ourselves getting our hands on something so perfect excites us beyond anything else, the reality eventually will come crashing down.
The way pop culture portrays romantic love is quite brilliant really. We are told that there is one perfect individual out there for us. A person who fills the void that we feel, making us whole.
We are told that there is someone out there who will make us better individuals, who will make us happy beyond belief, and who will fall head over heels for us.
We are told that every single person has such a person out there waiting for them – waiting to be found. No matter how flawed or stupid the individual, there is someone out there.
Imagine… the greatest, most incredible and perfect prize in the world is attainable by even the lowest of the low. Moreover, everybody is said to eventually find this person – so no need for anyone to worry.
What an amazing story, no? You are good the way you are, but when you find this perfect person, whom you can’t not find, you’ll be even more perfect. This person will make your life less miserable and you’ll be so in love that nothing else in the world will matter.
Your sh*tty, boring, wasteful life will have a meaning at last! Of course, you can’t work towards bettering yourself on your own. You need your other half. No point in working on yourself anyway – just go find someone to marry and have children with.
Man, do we love those magical beans. Just plant one in the ground and you’re climbing your way up to a fortune. When it comes to love, we have to be wary. We have to be sure that we have a proper understanding of it, even in its most basic forms, in order to – pardon my French – not f*ck things up.
Love doesn’t just happen. It doesn’t just fix all of your problems and it most certainly doesn’t just work its magic on its own. For love to be magical, you have to make it magical. Love isn’t simply a noun; it’s a verb just as well.
It’s frightening if you think about it… We live in a world in which people define love as a noun in the fashion mention above and most people don’t even consider it in its active form.
We find love. We don’t “do” love – and that’s the problem. People make finding love some sort of treasure hunt. They find the spot, dig that chest out of the ground, and then finish off the last page with a “The End.”
There is absolutely nothing in life that is worth having that does not require an effort to both achieve and then maintain. Those things that do not require any maintenance are either dead and everlasting or not worth holding on to.
Because of love’s nature, it’s living. Because it’s a living thing, it must be tended to, maintained, paid attention to, cared for.
When you love someone, don’t bother telling that person so because the truth is that he or she won’t believe you until you show this person that you love him or her. Words have become useless in our society, as lying has become second nature.
Most people will say what they have to say to get what they want – regardless of the damage those lies cause. Love as a noun is utterly useless. Most of you have an entirely wrong definition. The rest of us will work on refining our definition for the rest of our lives.
To love is an action. It is something that you do, actively. Most couples make the mistake of getting comfortable within their relationships.
They lose the mystery, the excitement, the passion. But understand that it’s not as if they left it in the cab. The flame didn’t fall out of their back pockets. They chose not to love anymore.
It’s that simple. You chose to stop loving. You chose to stop caring. You chose to stop being curious, to stop asking, to stop proving you love that person. We are all insecure creatures who wish to find someone who will be there for us every day for the rest of our lives, showing us love and allowing us to show how much we love too.
Yet, we all f*ck it up. We play games. We get lazy. We become careless and removed. We want love to be delivered to us along with that pizza and 2 liters of soda.
We want to keep love as if it were an ornament, a thing. Looking at love this way guarantees that you will spend most of your life alone and miserable."

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Das relações

Não me arrogo a escrever muito sobre relações, muito menos amorosas e muito menos da minha. Aliás, a minha é minha; não partilho.
Não me arrogo.
No entanto, ultimamente, tenho sido confrontada com muitas situações que me fazem parar para pensar. Pensar nelas, no tempo, no tempo certo, nas pessoas, nos encontros, na vida, na vida ao lado de alguém.
É impossível acreditar que o amor subsiste above all. Esqueçam. Não subsiste.
Impossível acreditar que o amor subsiste sempre e a todos os crescimentos, a todos os desvios, a todos os países, a todos os tempos.
O amor subsiste, quando subsiste, porque sim.
É difícil o ser humano conseguir ser tão frio perante isto. "Então estou entregue à sorte?!".
Não é bem à sorte mas é quase. Guardo com um carinho medroso o momento em que, no filme Closer, o Jude Law (uma pausa idiota para o momento "O-JUDE-LAW") volta atrás, entra no quarto com uma rosa e ela diz "I just don't love you anymore"; "Since when?"; "Now, just now". É um filme e não é só um filme. Acontece. Just now. E não te amo mais. Just. Now.
Mas quantas e quantas vezes, quando algo acaba, o cérebro dá voltas e voltas e se põe a tentar escrutinar onde é que errou, o que é que podia fazer, quando, para quando, as palavras, vezes e vezes, uma roda contínua, choro, noites sem dormir. Não conseguimos encarar esta verdade - que não deixa de ser algo ignóbil - que não podemos decidir o que sentir e, mais, que o outro (usualmente aquele que ainda se ama) também não.
Mas atenção: podemos decidir outras coisas. Há quem decida lutar. E isso pode ter a ver com sentimento. Mas também pode ter muito pouco a ver com ele.
Uma coisa que tinha aprendido há muito tempo é que não podemos garantir que nada seja nosso para sempre. Nem que não volte a ser.
O que vou aprendendo e reaprendendo ao longo do tempo é que o mais importante de tudo é que não percamos a relação connosco próprios. A noção do eu. Do quem sou eu (mesmo que não saibamos para onde vamos). É isso que nos guia nesta ponte entre o ir e o ficar, entre o "ter" e o "não ter" e mesmo entre nós e aquela pessoa que - por favor, por favor, por favor - nos leva papas de aveia à cama quando temos uma dor de cabeça, nos acha lindas desde o primeiro minuto da manhã e acredita - sim, hoje acredita - que quer fazê-lo para o resto da vida.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

O amor é importante porra!

Podia dissertar (bastantes mesmo) sobre os acontecimentos dos últimos dias. Sobre ódio. Sobre convições. Sobre liberdade. Sobre viver no ocidente. Sobre ser do ocidente. Sobre ser. E sobre "o" ser. Opto por não o fazer porque simplesmente não há - e não haverá nunca - palavras que expliquem como pode alguém matar um ser humano com esta frieza, calculismo e desprezo pela vida. Não há. Ausência de palavras. Luto.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

O novo ano

Há um ano que não escrevia. Aqui. Um ano que não escrevia aqui. Assim sendo - e sendo assim - este é um ano de redescoberta do eu (depois do trabalho que andei a fazer em 2014...) pelo que vamos lá reativar isto e começar a dedicar-me a não comprometer a criatividade do futuro. Escrever - todos ou quase todos os dias - é um exercício que nos ajuda a pensar, desenvolver a escrita e parar. Essencialmente parar. Boa paragem. Vamos lá.
É 2015.