Não me arrogo a escrever muito sobre relações, muito menos amorosas e muito menos da minha. Aliás, a minha é minha; não partilho.
Não me arrogo.
No entanto, ultimamente, tenho sido confrontada com muitas situações que me fazem parar para pensar. Pensar nelas, no tempo, no tempo certo, nas pessoas, nos encontros, na vida, na vida ao lado de alguém.
É impossível acreditar que o amor subsiste above all. Esqueçam. Não subsiste.
Impossível acreditar que o amor subsiste sempre e a todos os crescimentos, a todos os desvios, a todos os países, a todos os tempos.
O amor subsiste, quando subsiste, porque sim.
É difícil o ser humano conseguir ser tão frio perante isto. "Então estou entregue à sorte?!".
Não é bem à sorte mas é quase. Guardo com um carinho medroso o momento em que, no filme Closer, o Jude Law (uma pausa idiota para o momento "O-JUDE-LAW") volta atrás, entra no quarto com uma rosa e ela diz "I just don't love you anymore"; "Since when?"; "Now, just now". É um filme e não é só um filme. Acontece. Just now. E não te amo mais. Just. Now.
Mas quantas e quantas vezes, quando algo acaba, o cérebro dá voltas e voltas e se põe a tentar escrutinar onde é que errou, o que é que podia fazer, quando, para quando, as palavras, vezes e vezes, uma roda contínua, choro, noites sem dormir. Não conseguimos encarar esta verdade - que não deixa de ser algo ignóbil - que não podemos decidir o que sentir e, mais, que o outro (usualmente aquele que ainda se ama) também não.
Mas atenção: podemos decidir outras coisas. Há quem decida lutar. E isso pode ter a ver com sentimento. Mas também pode ter muito pouco a ver com ele.
Uma coisa que tinha aprendido há muito tempo é que não podemos garantir que nada seja nosso para sempre. Nem que não volte a ser.
O que vou aprendendo e reaprendendo ao longo do tempo é que o mais importante de tudo é que não percamos a relação connosco próprios. A noção do eu. Do quem sou eu (mesmo que não saibamos para onde vamos). É isso que nos guia nesta ponte entre o ir e o ficar, entre o "ter" e o "não ter" e mesmo entre nós e aquela pessoa que - por favor, por favor, por favor - nos leva papas de aveia à cama quando temos uma dor de cabeça, nos acha lindas desde o primeiro minuto da manhã e acredita - sim, hoje acredita - que quer fazê-lo para o resto da vida.
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