segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

About to start

Um novo ano começa daqui a umas horas e, com ele, uma pequena catrefada de esperanças, como se de um segundo para o outro pudessemos antecipar melhores pessoas, melhores corações, melhores países, melhores amores. Retirando todo o embrulho, sinto-me bem que assim seja, que todos vejamos na alma uns dos outros uma possibilidade de crescimento, que vejamos no mundo a antecipação de felicidade que queremos para nós. Afinal, a droga mundial são as pessoas e se as pessoas acreditarem, pode ser que o mundo acredite.
Até já 2013! Estamos à tua espera.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Pés


Fez ontem um mês que me encontro fora de casa. Por "fora de casa" eu quero dizer fora dos amigos, fora dos costumes, fora dos cafés, fora do 26, fora dos meus e das minhas mesmices. Quero caminhar no sentido certo, colocar os meus pés de forma diferente mas ainda assim tão minha. Talvez até mais minha. Quero ser eu mas aproveitar este crescimento, beber o que tiver de beber. Estou a caminho de uma mim. Estou a caminho...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Ir.

É-me mais difícil ir hoje do que foi antes. É-me mais intrínseco o outro eu, o meu homem, os meus amores diários, os meus amigos e os meus vícios. Vou sentir falta que me impeçam de roer as unhas e que me ofereçam mais um copo. Vou sentir falta que me dêem o braço para eu não cair. Oh, os meus saltos épicos. Vou sentir falta do disparate e dos telefonemas de uma hora (e o extreme a ralhar). Vou sentir falta do meu sofá e do sofá dos pais e do colo da mãe. Vou sentir falta de dossiers verdes. Na realidade, vou só sentir falta das pessoas dos dossiers verdes. Ou algumas. Vou sentir falta da minha almofada. Vou sentir falta de ser a almofada. Vou sentir falta das corridas para o cinema, e dos concertos e dos espectáculos e das gargalhadas. Bolas, fazem-nos tanta falta os risos conhecidos. Eu vou. Mas não consigo parar de pensar no regresso.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Miguel Esteves Cardoso em "era uma vez a vida da N" =P

(...) Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa – como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O amor

Um dia, quando eu for crescida, quero conseguir / saber falar sobre o amor. Entretanto não (lhe) tenho palavras. E, no entanto, haveria tanto para dizer...

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Como sobreviver a N. - Prefácio

Poderia começar este texto com "Querido Diário", porque, de facto, quase o é. Gosto pensar que tenho uma vida digna de ter um diário e, por isso mesmo, não o tenho. Mãos alheias em factos próprios só poderia resultar em desgraça e para desgraça já basta o que posso escrever com interlocutores. O facto de ser uma pessoa digna de ter um diário tem tido um peso preponderante nos últimos tempos. Tenho muitas estórias que merecem, devem, têm de, ser contadas e outras que me fazem rir sozinha, no autocarro ou no elevador, para me dar aquela ponta de loucura de que normalmente os transeuntes têm medo [e eu gosto de intimidar!].
Há uns dias, entre pessoas com uma presença forte na minha vida, falou-se de sortes e de azares, de quedas e de amores não correspondidos. E todos nos rimos um pouco com as desventuras de cada um, todos fizemos troça dos amores de antigamente, das poesias nunca vividas, da loucura dos dias e das tardes sem nada que fazer. Todos nos rimos das nossas desocupações passadas, de vida e de alma. E, em algum momento, parei para pensar que encostei muitos dedos a barrigas, elevei espíritos à loucura do meu e depois lá os deixei a nadar sozinhos, à espera que eu voltasse a aparecer. E não voltei. Ainda assim, falar do meu passado foi uma parte da noite quase alegre entre ele estava louco e se pedisses ele ladrava. Alguém a certa altura disse: eu não sei o que tu tens mas deve ser muito bom. 
Uns dias depois recebi uma carta. Tinha muitas palavras e de todas elas brotava um sentido emocional tão forte que a certo ponto tive medo de ser atingida por elas. Se quiser aqui pugnar pela verdade, não fui. Mas uma questão ensombrou o meu espírito: o que se passa na mente das pessoas é um livro profundo e húmido que pode magoar mais do que trazer felicidade. Por isso é que as relações humanas são tão complicadas: o impulso de ser/parecer profundo, o impulso de catapultar emoções, é muito mais forte do que o impulso de fazer outros felizes. Ao partilhar esta carta com um amigo ele apenas disse: pretendo escrever um livro "Como sobreviver a N.". Primeiro ri-me. O título encerra tanto quanto tão pouco. Depois parei para pensar como podemos nós passar pelo mundo e deixar uma marca que de tão positiva, magoa. Quase como se me dissessem amo-te tanto que dói. E eu tenho doido. A outros e a mim. Bolas... acho que eu vou começar a escrever Como sobreviver a N. E uso isto como prefácio, sim, uso isto como prefácio.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Miscelaneous

É engraçado pensar no leque de amigos que temos e de nós perduricados nesse leque. É engraçado pensar no leque de nós e dos amigos penduricados nesse leque. Eu sou uma pessoa que compartimenta. Não a vida, mas os amigos. Tu és daquele galho, ele é daquele, sim, partilhem aí uma maçãzinha, desde que cada um volte, serena e confortavelmente, para o galho a que pertence. É a velha máxima, sem espinhas, do cada macaco no seu galho. O motivo pelo qual compartimento nem sempre é bem claro para mim, mas, relativamente a alguns "mundos" é claríssimo. Eu quero ser a n. (a) a n. (b) e a n. (c), porque me viram crescer, porque me vêm disparatar, porque me vêm falar com clientes ou porque já viram demais. Há que querer ser a n. que me apetecer com uma grande confianças de partilha. As histórias têm os seus livros, os amigos têm os seus sítios. Conheço gente - muita - que não tem esta necessidade. Tiveram uma vida linear, sem círculos distintos, e sentem-se confortáveis na miscelânea de amigos. Só me sinto assim nos meus aniversários. E uma noite por ano já me chega para quebrar galhos - vá, em todos os sentidos.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Adeus

Durante muito tempo - talvez, ou provavelmente, tempo de mais - entendi que havia um pequeno lugar (e chamo-lhe pequeno por força de expressão) que te pertencia. Sei lá, era teu, quase desde o início dos tempos. Embora o início dos tempos também não tenha sido assim há tanto tempo. De qualquer forma, lá estava ele, o lugar. Encantavas os meus dias e reviravas o meu estômago, estórias hilariantes de viagens de pé descalço onde eu mergulhava por entre os toques nos meus cabelos e os tu és incrível desta vida. Cada mensagem - real ou subliminar - tinha um encriptamento só nosso e costumávamos brincar ao eles não nos percebem, até tu próprio deixares de me perceber. Tantos colos até à cama e tantas camas deixadas vazias, que eu própria tinha medo de estar simplesmente a fotossintetizar em lugar paralelo a ti, sem nunca te tocar (ou tu me tocares - pensarias tu - mas para mim tanto faz). Um diz fizemos planos de subir montanhas, puseste as estacas e começaste a subir. Eu via-te subir (sim, eu sei que nunca te chamei) e depois também te ouvi chamares-me lá de cima, enquanto eu só olhava. Também não fiz muito quando te vi cair. Até que nos encontrámos outra vez na base dessa montanha e sorrimos, quase como crianças que se redescobrem novamente. Beijaste-me a mão e eu prometi que desta vez subiria - eu prometo. Pus a primeira estaca e parei para pensar. Segunda e terceira e parei. Estavas do outro lado da montanha, podias estar já lá em cima e eu não tinha maneira de te dizer para não continuares a subir. Mais por carinho do que por determinação, mais por medo de te deixar cair novamente do que pela promessa de um amor envolvente, continuei a subir. Depois parei e pensei onde estarias porque dali já devia ver-te. Foi quando te vi, só com as duas primeiras estacas na pedra, a olhar o infinito. Chama-se medo, sabes? E chamaste-me para baixo. O que me inquietou na descida não foi tristeza ou irritação (ou raiva, talvez?). O que me inquietou foi o facto de não ter sentido nada disso. Inquietou-me que o resto de nós fosse uma sensação de alivio. Quase tentaste explicar mas eu só tinha vontade de me deixar adormecer nos teus braços e deixar-te só quando, ao acordar, ainda estivesses a ser embalado pelo sono e pelo cansaço da subida.
Acabou por ser só uma luta, só um se por concretizar (pelo menos no mundo real - quantas vezes o havia concretizado naquele canto teu da minha mente), e tu foste-te de mim como uma gota de água ao sol. Foste-te de mim. Acabou.

p.s. e agora aqui estou, pequena, a sugerirem-me uma felicidade anunciada. Eu sei, deveria estar feliz, mas o meu canto está de luto.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Leituras

Ultimamente tenho-me dedicado a ler. De tudo. Com todos os formatos, ando a sugar informação de todos os lados. E, como ele disse, "pode ser que até venhas de lá com uma ideia". E vou descobrindo blogs de moda que me interessam e que tem piada seguir todos os dias. Hoje até se pode ganhar um colarzinho: http://dressedcrisis.blogspot.pt/2012/08/passatempo-nomada-style-necklace.html. Participe-se :)

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Homem vs. Mulher

Não sou feminista, nem tenho pretensões de - thank God. É que, inacreditavelmente, acredito na e gosto da diferença. Gosto de um homem que me pague o jantar (e o almoço e, em geral, todas as refeições), que me abra a porta, que espere que eu passe, que me leve a sítios que eu não conheço, que me compre coisas cuja função ele desconhece mas que sabe que me vai agradar (de 1 a 10 diz-me qual é a utilidade dessa pulseira). Gosto que um homem seja homem porque - damn - eu também sou mulher. E sou sempre. Sim, eu choro nos filmes românticos, eu rio-me com pedidos de casamento incríveis, eu vou ao cabeleireiro e à manicure e à pedicure e às compras sempre que possa e por menos que necessite. Mas sou uma mulher moderna, gosto de me sentir livre, gosto de sair sem sentir que estou a machucar alguém, gosto de dizer disparates e de ser atrofiada e de beber copos e, no meio disto tudo, até sei identificar muito bem o que é um fora de jogo. Eu sou uma miúda com pedaços de mulher que pretende crescer enquanto tal - enquanto mulher.

No entanto, se eu pudesse mudar alguma coisa, era esta incapacidade de sermos para os homens como somos para as mulheres. Por levantarmos mais facilmente os olhos envenenados da moral à passagem de uma mulher, por desprezarmos mais uma mulher x do que um homem x. Isso sim, mudava-se. Agora ir à depilação e eles beber jola a ver a bola... isso, meus caros, é para sempre.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Post Laboral

Já estive noutro sítio que não aqui. E já trabalhei com outras pessoas, gentes (mais ou menos "inhas") e com outras formas de ver o papel e o mundo. Já partilhei carteiras, livros, fotocópias e fotocopiadoras fora de ilhas, fora deste amontoado de paredes castanhas, fora desta vidraça grande com vista para a paragem do 83. No entanto, não sinto em qualquer outro lugar este cheiro a casa. Tudo se poderia dizer do tempo exorbitante que passo neste lugar, dos desesperos que já senti, dos apertos, da vontade de ter um divã no Kiribati onde tudo deve ser mais fácil. Mas não é isso: é esta sensação que me leva até à copa, o café e os copos de água, e a nossa garrafa de água, os disparates de elevador, as lembranças, as frases no calendário. Eu rio-me. Eu rio-me e aprendo. Agora me deparo que posso encarar isto como uma forma diferente de "facultar". Há o bar novo e velho que se coordenam, há as pessoas - já as minhas pessoas - que me mimam e despertam em mim os melhores sentimentos do mundo. Bolas, deprendo agora, sozinha, que aqui sou feliz. E vou poder sempre ser feliz. O que os fins de tarde me trazem...

terça-feira, 22 de maio de 2012

De acrescentar mais...

  • Andar descalça no Verão quando o chão está frio;
  • Olharem-nos nos olhos;
  • Um elogio depois da tempestade;
  • Sol da cara;
  • Beijinhos na bochecha de uma criança;
  • ... (Oh please, add some...)

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ontem fui ver um filme. Não era, de todo, um filme para rever vezes sem conta, nem me fez sair do cinema com uma sessão de recompensa pós loucura diária do trabalho. Mas mexeu comigo. O tempo, o tempo real, aquele que passa, os segundos, os minutos, os anos, transformam o rosto de uma pessoa (sim, não estou a dar novidade nenhuma). Mas a questão foi: como lidar com ele contratempo do tempo? Porque com o aumentar da experiência, as sensações, os afins desta vida, vamos contando e sentindo-os, positivamente, em nós. Mas e as rugas. Quando não és mais uma jovem e de repente estás madura e estás praticamente a pagar metade dos bilhetes de comboio? Quantas viagens fazer? Como encarar o espelho? Como encarar a solidão? E a morte?

Dispite all, quando estava a ver o filme olhei para uma das mulheres e pensei: "quando eu for velha [(não como um trapo, não como roupa inútil, mas como velha, cheia de velhice, e de coisas para ensinar - há que não ter medo das palavras)] eu quero ser assim" - cada ruga sua história, loving the body I'm in.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Personalidades

Hoje em dia debruço-me muito mais sobre a forma das pessoas. Ingredientes colocados, são batidas, vão-se colocando mais bocadinhos de coisas, tirando ingredientes que, afinal, já não faziam falta, juntamos fermento (ou não!), o bolo vai ao forno, coze e cresce (ou não!, também). Tantos enganos houve nesta mistura que a habilidade de encontrarmos quem realmente foi feito dos mesmos ingredientes que nós (ou de diferentes, mas com aquele limão merengado de que também só podemos adorar), levou a mesma temperatura e cresceu no mesmo sentido (ou cresceu, simplesmente), é uma tarefa complicada. Pelo caminho encontramos bolos frouxos, bolos salgados, bolos insossos, bolos que picam na garganta de tão doces / amargos ou bolos que simplesmente não nos interessam. O pior é os bolos trapaceiros - o aspecto é óptimo, mas o resto... Your face is just fine, but you'll have to put a bag over that personality.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Como todas as relações deveriam ser...

Deparo-me constantemente com relações gulosas, que querem sugar o doce todo do prato, que querem um bocadinho mais da tua unha, dedo, pulso, braço, ombro... Independentemente da relação, todos os dias, quando acordamos, somos nós sozinhos, o nosso dedo, pulso, braço, ombro, e o espelho não coloca simplesmente como nossa sombra ou cavalitas outro. Que aqueles que amo sejam sempre não singles mas in a long standing relationship with fun and freedom.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Ela

Ultimamente tenho pensado nisto. No destino e no livre arbítrio, no que está "meant to be". Há pessoas que me têm ensinado que o karma não trata das coisas, unless u do, mas que, e apesar de tudo, quem tem de se encontrar encontra-se, quem ter um trilho a percorrer junto vai encontrar-se nele. Mesmo que mais à frente. Mas vai.

Please...

terça-feira, 17 de abril de 2012

A começar já...



Retoma

Depois de tanto tempo sem escrever uma querida amiga lembrou-me da existência deste blog... prometo trazer as milhentas imagens que não deixei de arrecadar! Até já *