Gosto de viajar.
Parece um statement simples e universal mas é mais do que isso.
Eu gosto de passar pela segurança do aeroporto. Gosto de entrar no avião. Gosto de levantar voo. Gosto dos filmes (quando há filmes). Gosto de aterrar. Sair. O novo aeroporto. Sinais de saída. Respirar um ar novo. Ver o ar novo dos novos ocupantes do novo lugar. Gosto de meter conversa. Gosto quando as pessoas se metem comigo (vá, nem todas). Gosto de ajudar alguém que esteja perdido. Gosto da sensação de estar a perder a indiferença àquele lugar. Um pouco a pensar naquelas conversas - lá num futuro qualquer - nas quais alguém vai dizer "eu depois fui acolá" e eu vou dizer alegremente "eu também fui". E que haja sempre uma história para contar, algo que me anime e que anime. Até algo que um dia alguém conte a alguém que conta a alguém que conta a alguém.
Este ir anima-me.
Estou prestes a viajar para um lugar onde sempre quis ir. Nova Iorque (sim, nunca fui). Animam-me as luzes, as torres, o central park, as avenidas, os táxis, as montras, as obras, os pequenos prédios, os grandes prédios, a estátua da liberdade, o ground zero, as pessoas, os cafés quentes para levar, as excentricidades, a moda, a arte, o metro, os all star a vinte euros, os jantares a quatro e a sensação de adolescência quando quisermos sair e as mães ficarem a dormir. Anima-me igualmente o ir. Hoje estou animada pelo ir, pelo movimento.
Não minto: o regresso anima-me igualmente. A sensação de bagagem cheia. Eu e uma mala cheia de memórias, histórias, vivências, gargalhadas. O P. no aeroporto à minha espera. Regressar a casa e trazer presentes.
Gosto de viajar.
E numa rima em forma de lugar comum: gosto de ir; gosto de voltar.
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